terça-feira, 6 de março de 2012

Asimec - Quando o Ótimo é Inimigo do Bom

- César, o que você acha de viajarmos este ano? - Pergunta Denise de forma sugestiva.
- Estamos desde a nossa lua de mel em 1991 falando em viajar e acabo de ver o anúncio de uma casa de
praia que está muito em conta... Podemos ficar lá de quarta a domingo, saindo de volta bem cedo na
segunda-feira.
- Casa de praia? Esse trabalhão todo para ficar quatro dias? - Disse César de forma indignada.
- Denise, já te disse que não é assim que eu quero. Quando formos viajar quero ficar no mínimo 10 dias
para descansar e, com certeza não será em uma casa. Quero te levar para um hotel de frente para o mar,
com no mínimo três estrelas, com aquele café da manhã de dar inveja a qualquer um de nossos amigos.
Iremos de avião e não será nesses pacotes customizados que nos levam a um lugar e, justo quando está
ficando bom, vem aquela chamada nos alto-falantes dizendo: ATENÇÃO GRUPO DA EMPRESA ALFA QUE ESTÁ COM O GUIA JOSÉ, SAIDA EM 15 MINUTOS! Não Denise, desse jeito é melhor não irmos, você sabe: Se não for para fazer direito, é melhor não fazer!

Reveillon de 2011 para 2012
- César, o que você acha de fazermos aquela viagem este ano? Estamos há muito tempo falando em viajar e
acabo de ver o anúncio de uma pousadinha em Porto Seguro... – Pergunta Denise 10 anos depois.
- PousaDINHA? Porto Seguro? Denise, você não toma jeito! Porto Seguro já era! O quente agora é a Costa
do Sauípe, mas lá ainda está muito caro. Vamos esperar alguns anos mais até surgirem mais hotéis na
região. Com isso as tarifas ficarão mais em conta e poderei te pagar aquele quatro estrelas...
- Quatro estrelas? É, realmente, o último de três estrelas não era tão bom assim. Não é mesmo, César?
Primeiro por que ele só existiu na sua imaginação, segundo porque essa viagem imaginária completou 10
anos em 2011.
- Denise, mas você sabe: SE É PRA FAZER PREFIRO FAZER ALGO QUE SEJA ÓTIMO!

SEGUNDO ATO: O SISTEMA
- Roberto se dirige à Cláudia, sua gerente, e diz:
- Cláudia, sabe aquele pedido que lhe fiz, há 2 anos, sobre um sistema para controlar o estoque? Pois é,
fiquei sabendo de um sistema muito em conta que vai facilitar nosso controle e evitar erros de compra
como os do ano passado.
- Roberto, mas eu já te disse – retrucou Cláudia - : primeiro, antes do sistema, precisamos ampliar o
estoque. Para ampliar o estoque, precisamos comprar o lote ao lado... Com a alta dos imóveis, ficou
inviável para nossa empresa essa aquisição.
- Mas Cláudia, só a queima de mercadorias que tivemos que fazer para recuperar o que empatamos no
estoque errado, já daria para alugarmos o lote e fazermos um galpão.
- Ora Roberto, você já me conhece há um tempão e sabe que não gosto dessas coisas. Alugar um galpão? O valor que pagaremos de aluguel dá para bem dizer pagar a prestação de um financiamento. Vamos fazer
assim, segura mais um pouco essa sua ansiedade, porque quando eu for fazer é para fazer direito!

Essas histórias falam de César, Denise, Cláudia e Roberto. Tratam-se de pessoas cujos nomes acabo de
inventar, uma vez que os nomes não importam, e sim a história real que está por trás deles e que poderia
muito bem ser a história de tantos Pedros, Otávios, Marias, Micheles, etc.

Ela se passa na vida pessoal, mas também encontraremos coincidências como esta no mundo
empreendedor, político, social e em tantas outras esferas que vocês, leitores, conseguirem encaixá-la. Não
importa aqui se a ação é do homem ou da mulher, do marido ou da esposa. Basta lembrarmos que são
ações de pessoas.
Temos chances, todos os dias, de fazermos o bom, mas o deixamos de lado com a desculpa de, um dia,
fazermos o ótimo. Fazer o bom, não significa fazer mais ou menos. Fazer o bom é fazer o que precisa ser
feito e pronto. Nem a mais, nem a menos.
Querer fazer o ótimo, muitas vezes, é descobrir que nada estará ótimo para começarmos. Então, não
começamos nunca!

Por Marcos Fábio Gomes Ferreira

PRIMEIRO ATO: 2001, A VIAGEM DE CÉSAR E DENISE

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